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05/08/14

Deixar o emprego para se dedicar a concursos: vantagens e desvantagens

Os candidatos a concurso público vivem driblando a falta de tempo para estudar e tentam as mais variadas soluções – até mesmo pedir demissão. Será que esta é sempre uma boa ideia?

Além de conhecer os aspectos positivos e negativos da decisão, quem pretende pedir demissão precisa tomar alguns cuidados para aproveitar bem o tempo e não ficar frustrado.

Aspectos positivos

À primeira vista, ter “todo o tempo do mundo para estudar” é o melhor dos mundos. Claro, de forma objetiva, quanto mais o candidato puder estudar, mais rapidamente deverá conquistar a aprovação. E assim é, de fato.

Será possível fazer um bom planejamento para estudar com qualidade, sem cair de cansaço sobre os livros. Por exemplo, pode-se estudar 9 horas por dia, em 3 turnos de 3 horas, com intervalos de 15 minutos no meio dos turnos e uma longa pausa entre os períodos: das 9h às 12h, das 14h às 17h e das 19h às 22h. Sobra tempo para atividade física, para dormir numa hora razoável e não precisar acordar tão cedo. E ainda dá para tirar o domingo todo de folga.

Esse é um ritmo muito produtivo e que o candidato pode levar pelo tempo que for necessário até ser aprovado, sem entrar num desgaste profundo – seja ele físico ou mental.

Se a estratégia for adotada no tempo certo e com real comprometimento do candidato, é um grande impulsionador da preparação. Foi o que aconteceu com Kaique Knothe, aprovado em primeiro lugar no mais recente concurso para a Receita Federal, que ficou 10 meses sem trabalhar e foi muito bem sucedido.

Aspectos negativos

É preciso muita cautela antes de tomar uma decisão dessa magnitude. Caso o candidato ainda não esteja maduro em relação ao projeto concurso público, ele corre o risco de deixar o tempo escoar. Assim, o despertador toca, mas o candidato não se levanta, porque sabe que poderá compensar mais tarde. “Hoje eu estudo até mais tarde”. Com esses pequenos deslizes, a iniciativa de intensificar a preparação vai por água abaixo, enquanto cresce a sensação de frustração e culpa.

Além disso, e independentemente da postura de comprometimento do candidato, o dinheiro que estava reservado vai minguar na mesma proporção em que os meses passam. No caso de quem encontrou um “patrocinador para a causa” (pais, cônjuges, etc), a ansiedade pode virar cobrança por resultados. Até mesmo o candidato, se não tiver muito equilíbrio, pode começar a se pressionar com o passar dos meses ou se sofrer um revés em algum concurso.

Precauções necessárias

Ao pensar na demissão, é essencial definir com clareza como será o sustento do candidato até a aprovação, lembrando que não há como prever o tempo que isso levará.

Algumas pessoas optam por guardar dinheiro para o tempo de estudo, aproveitando até mesmo o que receberão com a demissão. Esta é uma conta objetiva: é preciso reduzir as despesas e saber quantos meses (ou anos) o candidato poderá investir no projeto sem precisar procurar outro emprego.

Outras têm a sorte de contar com a confiança e o suporte financeiro de familiares. Nesse caso, mais do que nunca, é importante deixar claro que o projeto não tem data de conclusão, por mais empenho que se tenha.

Opção para servidor público

Quem já é servidor público, mas está se preparando para outro concurso, pode pedir licença sem vencimentos, de acordo com os critérios da lei que rege o cargo. Os cuidados devem ser os mesmos do candidato que trabalha na iniciativa privada, com uma peculiaridade: esse tipo de licença tem um prazo, após o qual o servidor precisará retornar ao trabalho ou pedir exoneração.

A vantagem é que a decisão definitiva pode ser adiada para um momento posterior. Até lá, é possível manter o emprego “reservado”, para o caso de algo não sair como previsto.

Férias como teste ou alternativa

Para fazer um teste com menos riscos e ter uma ideia de como seria poder somente estudar, o candidato pode usar o mês de férias na empresa. Com isso, é possível observar se os aspectos favoráveis superam as desvantagens.

Outra possibilidade, que deve ser utilizada por quem chegou à conclusão de que a demissão não seria uma boa escolha, é tirar férias quando sair um bom edital, de preferência no mês anterior à prova. É uma forma sem riscos de aumentar as chances de aprovação, já que permite intensificar os estudos.

Mesmo essa alternativa é recomendada somente para o candidato que percebe que tem reais condições de aprovação. Caso contrário, ele poderá gastar o recurso antes do tempo sem obter o resultado desejado.

Fonte: Lia Salgado, colunista do G1 

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